Ádria Freitas

Uma Vez aberta as Portas da percepção, Impossível retornar.

Textos

A Oportunidade
Márcia vivia triste e desanimada, trabalhava porque precisava pagar suas contas, mesmo assim trabalhando muito ás vezes deixava de pagar algumas contas que se acumulavam no mês seguinte, vivia se queixando da vida, uma hora era o chefe, outra hora era a condução que estava muito cheia e assim vivia "levando a vida" como ela mesma dizia.
Um dia em uma dessas conduções cheias esbarrou em uma moça, como estava cansada de pedir desculpas não se importou e nem olhou para trás, a moça olhou e disse:
- Quem é vivo sempre aparece!
Era Luíza uma amiga de infância de Márcia.
- Oi Nossa! quanto tempo Luíza, como você está?
- Estou ótima, me casei e tenho um filho lindo, estou vindo do trabalho fiz sociedade com um amigo e estamos muito bem no ramo de turismo e você o que faz da vida?
- Ah! eu não tive a mesma sorte que você, me casei, mas separei ele arrumou outra, depois de um tempo que me conformei comecei a namorar, mas o infeliz há quatro mês me abandonou, trabalho em um lugar que eu odeio e para piorar fiquei sabendo que meu ex já está namorando outra.
- Nossa eu sinto muito por tanta coisa ruim acontecer ao mesmo tempo.
- Eu o amo, minha vida não tem sentindo sem ele.
- Vamos marcar um dia para agente se ver e conversar.
- Vamos sim estou precisando conversar um pouco, as vezes penso que não vou aguentar tanto sofrimento.
Márcia era uma mulher de 38 anos de idade, prática e moderna, não tinha paciência para nada, as ultimas cicatrizes dos seus relacionamentos a deixaram medrosa, insegura e sem esperanças no futuro, seu emprego a cansava fazia três anos que fazia a mesma coisa e mesmo com as promoções que teve, sendo hoje chefe do setor não animava, tinha amigos superficiais a maioria conhecia seu ex namorado e os poucos amigos eram apenas conhecidos não confiava em ninguém.
Luíza ficou comovida com a vida que Márcia estava levando, pois lembrava dela há um bom tempo atrás como uma garota feliz animada com a vida e ver ela neste estado a comoveu muito.
As duas trocaram telefones e emails, mesmo com a vida corrida de Luíza ela dava um jeito para encontrar a amiga para conversar e foi em uma dessas conversas que mudou a vida de Márcia.
- Se eu for bem sincera com você, será que você irá ficar com raiva de mim e acabar com nossa amizade?
- Jamais eu faria isso Luíza, porque? aconteceu alguma coisa?
- Não é que eu tenho algo para te dizer, mas eu acho que você vai odiar ouvir.
- Diga! mesmo que eu te tenha ódio eterno, diga por favor até hoje só ouvi conselhos bobos, quem sabe uma dose de verdade não me liberte deste drama que eu vivo.
- Amiga o seu sofrimento é em vão, pois tudo que está passando é tão somente culpa sua.
- como assim? meu marido me traiu, meu namorado terminou comigo e agora esta com outra, é um castigo! eu me sinto arrasada, como pode dizer isso você não tem pena de mim? do meu sofrimento?
- Não! Se você foi uma boa esposa e fez tudo certo e mesmo assim seu marido lhe traiu, é porque ele é um safado e não merece o amor e confiança que você depositou nele, seu namorado a mesma coisa, o que eu quero lhe dizer que você tem que parar de ser a vitima e tomar as rédias da sua vida, ficar sofrendo e chorando pelos cantos não vai mudar nada do seu passado, acredite é em vão, quando uma pessoa foi feita para a outra tudo da certo, mas quando não são para ficar juntos só um aprende com o outro.
- Eu não aprendi nada com meu ex-marido safado!
- Aprendeu sim, pense desde do dia que o conheceu e até hoje, aprendeu que não se pode confiar em todo mundo, ficou mais forte para tomar as rédias da sua vida.
Você é capaz de ser melhor amiga, ser você mesma e as pessoas tem que gostar de você como você é claro que você tem que se esforçar para melhorar tudo em você.
- Por exemplo o que eu tenho que mudar em mim? perguntou Márcia com tom de desgosto.
- Seja digna, não se coloque no papel "eu sou a sofredora" porque no fundo todos sofrem, e eles só maltratam agente porque agente deixa e ao contrário também.
O mundo que vivemos devemos lutar e esquecer o passado, viva o presente e tente chegar no futuro gloriosa, largue seu emprego e procure algo que lhe de prazer ou se não puder largar o emprego agora, procure outro paralelo, depois largue o martilho de fazer algo que você não gosta. A vida é curta demais e ás vezes deixamos de fazer coisas e nunca sabemos se vamos conseguir fazer um dia, enquanto você chora seus exs estão vivendo a vida deles e nem pensa em você, dá atenção ás vezes para não te magoar, mas você tem que seguir em frente.
- Quer que eu saia procurando homem por ai?
- Não falei de homem, você não precisa disso, faça coisas que você goste de fazer, saia com alguns amigos que você confie, vá ao cinema, programe uma viagem com alguém, de oportunidade para as pessoas gostarem de você, esqueça esse refrão de que "eu sou assim" " eu sou brava mesmo" "eu não tenho paciência" "eu não gosto disso, nem daquilo" se deixe levar, esquece os preconceitos, experimente, viva mulher!
- Não é tão fácil assim.
- Eu sei, mas você admitindo que você errou também na relação já ajuda e que voltar não vai te deixar tão feliz quanto você pensa, siga em frente, seja bela sempre, acredite se você mudar um pouquinho a cada dia será mais feliz.
- Vou tentar.
Depois da conversa das duas Luíza mergulhou no trabalho e não teve mais tempo para ver a amiga, pois já era final de ano e a agência estava lotada de viagens.
No natal conversaram por telefone, mas Luíza não tocou mais no assunto.
Márcia continuava investindo no ex namorado e antes do ano novo quando Márcia o convidou para passar o reveion com ela, ele disse que iria se casar, essa noticia acabou com o ano novo de Márcia.
Márcia ficou tão deprimida que pensou até em tirar sua própria vida, no escritório todos não aguentava mais o humor de Márcia e ela foi demitida, sem rumo e sozinha sentou-se em um banco no meio da praça e decidiu que daquela noite ela não passava, ia beber todas e se jogar em um rio qualquer ou em uma rodovia para ser mais rápido quando foi tirada dos seus pensamentos de suicida.
- Feliz ano novo moça!
- Feliz para você! Disse Márcia brava.
- Nossa, que desanimo uma noite tão linda a lua brilhando no céu onde está seu namorado?
- Casando com outra!
O rapaz ficou pensativo e disse:
- Então moça case-se com outro também!
Márcia olhou aquele moço cor de jambo de olhos de jabuticaba e um sorriso sem igual e sorriu também, sentiu vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, mas perguntou.
- E sua namorada?
- Está casando com outro, mas estou aqui procurando minha princesa perdida em algum lugar nesta noite linda maravilhosa, pois não quero chorar nem sentir pena de mim, porque não viver?
- Vocês homens agem assim, fácil arruma outra e pronto!
- Não! levei dois anos para entender que minha ex-namorada não me amava mais e descobri que perdi dois anos para descobrir isso, agora quero viver um novo amor, porque se ela não é a tampa da minha panela vou procurar a minha tampa.
- Nossa que cafona esse negócio de tampa.
Márcia começou a rir e os dois saíram juntos para comemorar, depois do reveion Márcia encontrou Fernando o rapaz que a fez sorrir no pior dia de sua vida, os dois começaram a sair e depois de um ano de namoro, todos os dias Márcia lembrava das palavras de sua grande amiga e tentava dia após dia mudar algumas atitudes em sua rotina que talvez tivesse lhe atrapalhado no passado, depois de dois anos de namoro com Fernando, descobriu o quanto ela era egoísta, pois sempre queria as coisas do seu jeito acabando sufocando o seu parceiro, foi mudando se tornou uma pessoa menos egoísta, mas alegre e Fernando não resistiu tanto encanto pediu sua mão em casamento, uma bela tarde de primavera se casaram e hoje faz exatamente bodas de ouro cinquenta anos de casados com filhos, netos e bisnetos e uma grande amiga em seu coração, mas que lhe ensinou o principal.
"Viver é aprender a cada dia um com o outro e não se deve exigir somente dos outros as mudanças, mas nós tempos que mudar primeiro, se mesmo assim não der certo, siga em frente, pois um dia alguém vai pensar como nós só basta lhe darmos a oportunidade."
ADRIAFF
Enviado por ADRIAFF em 02/01/2013
Alterado em 02/01/2013
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